O que queremos para o futuro de Santa Cruz?

Lendo a matéria de ontem da Gazeta do Sul a respeito dos novos ?mega projetos? e ?mega investimentos? a serem realizados no centro de Santa Cruz, confesso que fiquei bastante preocupado, assim como os demais colegas que compõem as Diretorias da Associação Santacruzense de Engenheiros Civis (ASEC) e a Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santa Cruz do Sul (SEASC).

Primeiro porque estas duas associações há muito tempo vem solicitando a revisão do Plano Diretor Urbano de nossa cidade.
Devemos discutir como, quando e para onde nossa cidade deve crescer. Os índices construtivos, tais como a taxa de ocupação e aproveitamento do terreno favorecem os imóveis do centro, tendendo a criar os mega projetos que já estão sendo anunciados. Mas é isso que os habitantes querem para Santa Cruz? Conjuntos habitacionais que aglomerarão mais de 1000 pessoas em uma única quadra? Isso certamente em nada lembra München ou qualquer outra cidade de nosso porte na Alemanha.

Segundo porque não li, em nenhum dos trechos que exaltam o projeto, quais as soluções adotadas pela Prefeitura para suprir estas novas unidades com o devido abastecimento de água, energia e principalmente, esgoto cloacal e águas pluviais (sem falar no sistema viário). Nossas redes públicas, operadas pela CORSAN há vários anos, não comportam um aumento de público como o que está previsto para daqui a três anos. Pior, não possui sequer projeto ou investimentos alocados para suprir esta demanda, que hoje já é caótica.
As redes de esgoto cloacal e pluvial do centro remontam dos idos de 1950 e pouco tiverem suas instalações alteradas desde então, vide os problemas causados a cada chuva.

Terceiro porque historicamente os municípios em desenvolvimento e com um Plano Diretor eficiente, voltado ao bem estar comum e qualidade de vida da população alocam grandes centros de compras em áreas afastadas do centro, tanto para ?desafogar? estes polos já saturados, como para fomentar o desenvolvimento de outras regiões, o que parece não ser o pensamento dos investidores que aqui aportaram. Estes constroem e vendem, deixando o problema para o município e sua população. Não se tem notícia da existência de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), exigido para este tipo de empreendimento desde a promulgação do Estatuto da Cidade (2011), e lá se foi mais de uma década sem que nosso poder público regulasse o assunto.

Acredito que a comunidade não deva ser apenas comunicada deste tipo de alteração no modo de vida, que vai impactar a todos os habitantes, pelo jornal. Devemos, e temos o direito, de opinar quanto ao futuro de nosso município. Os ?novos rumos? de Santa Cruz precisam ser debatidos pela população e em especial, pelos profissionais que mais entendem de obras de infraestrutura e urbanismo.

Associação Santacruzense dos Engenheiros Civis ASEC

 

No último dia 31 de outubro de 2013 aconteceu a assembléia de fundação da Associação Santacruzense dos Engenheiros Civis - ASEC, com a participação de diversos engenheiros de nosso município. Inicialmente fundada por 19 associados, a entidade visa congregar e fomentar o desenvolvimento de todos os profissionais da região.

Na ocasião foi aprovado o estatudo social e eleita a primeira Diretoria, composta pelos engenheiros Silverius Kist Jr. (Presidente), Auro Jorge Schilling (Vice-Presidente), Mauro Fernando Dreher (1 Secretário), Zeferino Ário Sabbi (2 Secretário), Ricardo Walter Glauche (1 Tesoureiro) e Evandro Schramm Trevisan (2 Tesoureiro), assim como o Conselho Fiscal, com os engenheiros João Paulo Lawisch, Mauro José Braun e Cícero Rodrigues Salaberry (foto).

Fruto de uma ideia fomentada há mais de três anos, a nova entidade de classe foi fundada para que os profissionais possam ter assegurada sua representação junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia - CREA.

Com a saída dos arquitetos e urbanistas do Conselho Federal de Engenharia e Agonomia - CONFEA, quando da criação de um Conselho profissional próprio, as entidades que contam com sócios cuja profissão não seja registrada no CONFEA correm o risco de perderem seu registro, sendo uma delas a SEASC (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santa Cruz do Sul).

As duas entidades profissionais continuarão a cumprir com suas finalidades, entre elas a representação junto à sociedade.

Saiba mais: http://www.gaz.com.br/_conteudo/2013/11/noticias/regional/5459-santa-cruz-tera-associacao-de-engenheiros-civis.html

 

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NBR-15.575 - Edificações Habitacionais - Desempenho

Entrevista concedida pelo engenheiro Silverius Kist Jr. ao repórter Rodrigo Kaempf, do Jornal Gazeta do Sul:

GS: Gostaria de um aprofundamento maior no assunto do isolamento acústico. Acredito que esse seja o fator que mais cria polêmica entre moradores de prédios em todo o país. Portanto, isso deve melhorar?

Acredito que as condições de isolamento acústico devem sofrer nítida melhora com a aplicação da Norma, dependendo apenas da qualidade dos materiais empregados (produtos deverão seguir as respectivas normas de fabricação), sendo seu desempenho certificado (INMETRO, etc).

GS: Qual o nível mínimo admitido pela norma? É muito diferente do que existe hoje em dia? E como o consumidor poderá ter vantagens nisso?

Na verdade o que passa a ser exigido pela norma, no caso de isolamento acústico, é o que se chama de índice de redução sonora, ou seja, o quanto o elemento (parede, teto, esquadrias) reduz do ruído entre os ambientes medidos (interno ou externo).

Por exemplo, a parede de fachada deve ter um índice de redução sonora mínimo de 34dB.

Se supormos que  ruído emitido por uma festa no outro lado da rua seja de 100db, é exigido pela norma que apenas 66db sejam ouvidos no interior da unidade. Teremos que avaliar também a eficiência da esquadria (janela) cujo índice de redução mínimo é de 29db.

Ainda assim, o ruído externo admissível (71dB) será muito maior do que o exigido pela norma de Avaliação de Ruído em Áreas Habitadas (NBR-15.151) que estipula um máximo noturno entre 35 e 40db.

Não é diferente do que já existia, porém a Norma 15.575 uniu diversas exigências de desempenho de outras normas em um único documento.

A norma prevê ensaios de laboratório e de campo (local) o que é muito difícil de se realizar.

O consumidor deverá procurar saber quais as ações tomadas no empreendimento que visam melhorar as características de segurança, conforto, manutenção e vida útil, para então decidir o que melhor se adequa às suas necessidades.

Entendo que as construtoras e incorporadoras tenderão a empregar produtos certificados para o cumprimento das exigências da Norma, porém, como se demonstrou, não serão suficientes para resolver os eternos problemas de vizinhança.

Leia a matéria completa:

http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/417190-por_moradias_menos_barulhentas/edicao:2013-07-27.html

II Seminário de Engenharia Diagnóstica em Edificação

 

No dia 11 de novembro de 2013, em São Paulo:

Temas:

A ENGENHARIA DIAGNÓSTICA E A RESOLUÇÃO DE CONFLITOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
A utilidade prática das ferramentas da Engenharia Diagnóstica para a qualidade das edificações, na produção das provas períciais e abordagem técnica/jurídica das garantias.

VISTORIAS E INSPEÇÕES PREDIAIS ? SEGURANÇA DAS EDIFICAÇÕES
Principais normas aplicáveis e diretrizes para elaboração de trabalhos técnicos. Procedimentos preventivos e aspectos da manutenção.

PERÍCIAS DE ENGENHARIA E AUDITORIAS - FOCO NO DESEMPENHO
Abordagem das perícias de engenharia e Auditorias técnicas de desempenho segundo os critérios e exigências da norma da ABNT NBR 15.575 ? Edificações Habitacionais ? Desempenho ? Parte 1 a 6.
Durabilidade das edificações e as normas vigentes para o sistema da gestão de manutenção combinados com as proposições do Manual do Síndico e do Proprietário, à luz da norma das respectivas normas da ABNT NBR 14.037 que tratam do tema.

Programação:

http://www.ie.org.br/site/agenda/exibe/id_sessao/2/id_evento/1258/II-Semin%C3%A1rio-de-Engenharia-Diagn%C3%B3stica-em-Edifica%C3%A7%C3%B5es

 

 

Ministério do Trabalho na mira da Polícia Federal

O Superintendente Regional do Trabalho no Estado, Heron Oliveira, foi indiciado nesta sexta-feira pela Polícia Federal por corrupção passiva e formação de quadrilha.

Oliveira é um dos investigados no esquema que facilitaria o fim de embargos a obras a partir da atuação de fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego. Em troca da liberação de construções, empresários pagariam propina a agentes públicos.

Na quinta-feira, a PF deflagrou a Operação W e um dos locais em que houve buscas foi o gabinete de Oliveira, em Porto Alegre. Durante as investigações, foi apurado que ele tinha relação próxima com Antônio Barata, dono da Worker Engenharia. Há indícios de que Oliveira recebia vantagens de Barata e que seria conhecedor do esquema.

Uma obra só pode ser liberada, desembargada, por decisão do superintendente. E a Worker atuava justamente nessa área, oferecendo consultoria a construtoras com obras embargadas. Dos três suspeitos presos na quinta-feira, só Barata segue recolhido.

Um auditor-fiscal e um servidor administrativo da SRTE, também indiciados por corrupção passiva e formação de quadrilha, foram soltos na tarde desta sexta-feira. Na casa do auditor, policiais apreenderam R$ 55 mil escondidos em uma caixa de uísque.

O auditor atuaria criando dificuldades a obras de grande porte a fim de que a Worker fosse contratada.

O auditor suspeito tinha a função de ser severo nas fiscalizações, criar dificuldades para depois vender a facilidade. Depois dele embargar, a Worker aparecia oferecendo serviço, uma espécie de salvo-conduto para o construtor ? explicou o delegado Aldronei Rodrigues.

A investigação da PF, conduzida pela Unidade de Combate aos Desvios de Recursos Públicos da PF, deveria prosseguir, mas a operação teve que ser deflagrada para evitar um atentado contra um auditor que não participava do esquema.

Ele se preparava para fiscalizar a obra de um shopping em Gravataí. Por meio de interceptações telefônicas, a polícia flagrou um plano para que o auditor sofresse um acidente a caminho da obra.

Um caminhão deveria colidir no carro dele. O serviço custaria R$ 50 mil. Um dos empresários responsáveis pela obra em Gravataí também já prestou depoimento. Ele saberia do plano, que teria sido arquitetado em parceria com Barata. Se a obra em Gravataí não sofresse interdição, a Worker lucraria em torno de R$ 110 mil, segundo investigações.

Desde a quinta-feira, Zero Hora tem tentado falar com Heron, mas não obteve retorno. A Worker também não deu retorno.

Procurado pela reportagem, o Ministério do Trabalho e Emprego comunica que ainda não foi informado oficialmente pela Polícia Federal do indiciamento do superintendente Heron Oliveira. Recebendo as informações, abrirá uma sindicância interna para averiguar o caso e definir quais providências serão tomadas.

Adriana Irion

adriana.irion@zerohora.com.br

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